- Aposto no Zinho para fazer essa interlocução entre jogadores e diretoria. Eu acumulava a função de vice de futebol, mas, assim como fiz em outros setores do clube, decidi apostar em gente nova, sem vícios políticos, como é o caso do Coutinho. A ideia era trazer alguém que não tivesse problemas de relacionamento, como aconteceu com Vanderlei Luxemburgo. Naquela época, o Luiz Augusto Veloso (então diretor) e Isaías Tinoco (então gerente) faziam essa ponte. Acompanho o futebol constantemente. Depois, vamos avaliar se foi bom ou não – afirmou Patricia Amorim.
Antes da chegada de Zinho, o atacante Deivid chegou a dizer que faltava um dirigente para que o “grupo tivesse comando” e revelou que tratava assuntos diretamente com Patricia Amorim. No último sábado, Welinton também deixou clara sua contrariedade. Ao ser questionado sobre o fato de Coutinho ter dito que buscava um zagueiro para ser titular ao lado de González, o jogador disse que a situação o incomoda.
Filho de Claudio Coutinho, Cascão nunca exercera função semelhante e logo precisou encarar o caldeirão com as eliminações do Carioca e da Libertadores. Nos últimos dias, o dirigente tem desabafado internamente sobre os problemas do clube. Com um cargo não remunerado, Coutinho também reclama do distanciamento da família e da falta de tempo para tocar seus negócios pessoais.
Parte dos jogadores – entre eles Ronaldinho Gaúcho e Vagner Love - sequer conversa com o dirigente, que alega não ir ao Ninho do Urubu com frequência por causa das negociações e conversas na Gávea.
Nesta terça-feira, a reportagem tentou contato com Coutinho. Na parte da manhã, o dirigente alegou que estava operando na Bolsa de Valores e pediu que telefonasse mais tarde. Mas, depois, não foi mais encontrado para comentar sobre sua situação.
Ruídos de comunicação
Walter Oaquim se aproximou do futebol para dar suporte a Coutinho. De vice de relações externas, Oaquim passou ao dia a dia e voltou à cena com participação efetiva nas negociações. Mas, no caso Zinho, o dirigente causou desconforto em vários setores.
Coutinho e o vice de finanças, Michel Levy, conduziam a negociação com o tetracampeão. Oaquim acompanhou de fora, porém dando declarações sobre o andamento das tratativas, o que incomodou os dirigentes. Levy e Coutinho, então, fizeram o anúncio oficial do acerto. Patricia Amorim discordou da forma como o caso foi conduzido. A presidente só foi avisada sobre a apresentação oficial de Zinho poucas horas antes da coletiva do novo dirigente.
Outro ruído de comunicação aconteceu quando o clube negociava com Luiz Henrique de Menezes para ser diretor. Enquanto os dirigentes aguardavam uma resposta, Patricia foi avisada pelo médico José Luiz Runco sobre a negativa de Luiz Henrique. Depois, queixou-se de que tentou comunicar à cúpula de futebol, mas seus telefonemas não foram atendidos, e o assunto vazou na imprensa antes mesmo de Coutinho e companhia tomarem conhecimento do “não”.
Oaquim, inclusive, foi desautorizado a comentar quaisquer tipos de negociações.
O caso mais recente envolveu a permanência de Airton. No sábado, o vice de futebol passou a informação de que o clube teria feito um acordo para a prorrogação do empréstimo junto ao Benfica. Nesta terça-feira, o vice de finanças Michel Levy e o próprio jogador negaram que já tenham chegado a um acerto com o clube português.
A relação entre Levy e o elenco tampouco é das mais amigáveis. O dirigente trata de pagamentos e negociações, mas pouco discute problemas com os jogadores.
Gerente de futebol esvaziado
No futebol, o cargo de Jairo dos Santos também sofre questionamentos. Ao tentar implantar uma cartilha com conselhos como “tenha força de vontade para deitar cedo”, foi alvo de deboche por parte dos jogadores.
Em novo episódio, deu entrevistas em que dizia ser o responsável pela contratação do zagueiro Victorino, deu a negociação como bem encaminhada e disse que a troca envolvendo Bottinelli era válida. Quase no mesmo momento, o clube emitia nota oficial para desmentir a negociação. O mal-estar foi sentido, e a nota, alterada. Coutinho, defensor da contratação do gerente, repreendeu duramente Jairo dos Santos, que recebe salário de R$ 16 mil e não vai todos os dias ao Ninho.
Nomes comentados nos bastidores
O nome de Marcos Braz chegou a ser discutido nos bastidores, mas o ex-dirigente é rival político de Patricia Amorim, que já tentou conversar com Braz para trazê-lo de volta ao futebol. Em 2009, ele comandava o departamento na conquista do Brasileiro e tinha proximidade com jogadores tidos como polêmicos, casos de Adriano, Bruno, Petkovic e Willians.
- Tem que ter credibilidade com o jogador. O que você fala tem que valer. Podem te achar truculento, só não pode ficar sem credibilidade. O que falar tem que fazer valer. No futebol não vale só o escrito, vale o que é dito. A partir daí, é preciso bom senso e transparência nas decisões - afirmou Marcos Braz.
Vice-presidente de administração e social, Cacau Cotta tem simpatia de alguns líderes do elenco. Ele chegou a ser convidado para ser vice de futebol, mas não aceitou.
Na Gávea, Cacau é tido como “grata revelação” por participar das reformas do clube que contaram com a aprovação dos sócios, responsáveis por eleger o presidente do novo triênio em votação que será realizada em dezembro.
Fonte: http://t.co/s4qn3Eug
Twitter: @igor_kaique_Fla
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